As Séries de Comédia Fora da Curva e do Prozac! - (Parte 1)

Uma análise das comédias mais insanas produzidas pelo filtro da loucura de Larry David!


Uma ótima pista do grau de insanidade em uma produção artística, além de conhecê-la - obviamente -, é identificar os criadores envolvidos naquela produção. O perfil de loucura de uma obra é um padrão neuroliguístico dos seus criadores. A maior prova deste fato se encontra na mente absolutamente insana, criativa e fantástica de Larry David, co-criador de Seinfeld.

Seinfeld, que não poderia ficar de fora de uma lista como esta, é obviamente a número 1! E sim, respondendo sua pergunta, caro leitor! Eu não sei criar uma atmosfera de expectativa e suspense, na verdade nem sei cadenciar as ideias de forma que façam sentido, então não leve essa lista a sério e não encare como algum tipo de classificação!

Seinfeld foi a série de humor que iniciou a avalanche de sitcoms na indústria americana de televisão. Precursora, vanguardista e - apesar das inúmeras produções que usaram deste formato - Seinfeld continua sendo diferenciada e jamais será datada, mesmo com a tecnologia pífia dos anos 90, chega a ser assustador o choque de realidade!

Jerry Seinfeld, o protagonista e co-criador do show, vive sua rotina de comediante de stand-up e, embora esse aspecto seja relevante, não é o cerne da história. A história não é sobre o comediante, é sobre o homem comum, com seus relacionamentos "comuns", seus problemas "comuns" - as aspas são importantíssimas nesse contexto, não me julguem! -. Ao mesmo tempo que as situações são profundamente humanas e cotidianas, elas são completamente malucas e fora da caixa.

Quem poderia pensar que uma aposta sobre quem fica mais tempo sem se masturbar, feita durante um casual café da manhã com amigos, pudesse render tantas reviravoltas e um episódio inteiro de 30 minutos? Ou uma suposta sopa tão fantástica que faria com que todos os quatro amigos passassem por uma sequência de situações absurdas, com direito a presença de um Chefe de cozinha "fascista", autoritário ao ponto de decidir quem tem o direito de comprar sua sopa! E o meu favorito: um episódio com os 4 amigos perdidos no estacionamento de um shopping, cada um vivendo situações inacreditáveis!

Mas não é só de roteiros insanos que Seinfeld se sustenta, as atuações são excelentes e os personagens altamente carismáticos. Nesse ponto acho extremamente importante uma observação: George Constanza, personagem venerado quase que unanimamente, é doido de pedra e uma representação caricata de Larry David. Paranóico, hiperativo, hipocondríaco, antisocial, efusivo, egoísta, perdido em divagações absurdas, estranho de forma constrangedora e, absolutamente, maravilhoso!

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O que nos leva ao item 2 desta lista! Curb Your Enthusiasm é uma série produzida por Larry David e conta a história deste maluco no seu dia-a-dia de roteirista, produtor e milionário - graças ao show de TV, Seinfeld - convivendo com sua esposa (Cheryl David), seu melhor amigo e agente (Jeff), além de seus colegas de trabalho, vizinhos, o "tiVo Guy" (cara da manutenção da tv a cabo), responsável por uma das reviravoltas mais sublimes da série, médicos (que frequenta bastante devido a sua hipocondria exagerada).

Inclusive, em uma das suas consultas médicas acontece um dos momentos mais geniais da trama. Um mal entendido enorme e inacreditável, que dá a entender - de forma muito clara e óbvia para todos exceto essa peculiar e inusitada figura - que Larry David está envolvido em um caso de pedofilia! Mas, mais uma vez, se trata apenas de informações aleatórias, construídas de forma insana e absurda.

Isso! Perfeito! Acho que cheguei em uma síntese do que é Larry David e sua obra: situações aleatórias que se desenvolvem em paralelo e, em algum momento, são conectadas. Gerando um momento absurdo. E de absurdos em absurdos, temos a construção de um roteiro insano e um personagem tão insano quanto!

Assim como em Seinfeld, as interações entre os personagens é o grande trunfo e mérito desse show, que espremeu toda a loucura da massa encefálica de Larry David e transformou em um amargo, porém, delicioso coquetel de trivialidades humanas.

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